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A maternidade em tempos de Coronavírus

No início desta pandemia, tivemos muitas oportunidades para fazer reflexões quanto à maternidade. Me permiti fazer um relato pessoal para poder me aprofundar nesta função humana, que é uma das mais estruturantes de nossa personalidade. Neste momento, alguns de nós, estamos separados de nossos filhos que foram estudar fora do país. Meu caso atual .Em momentos de muita preocupação e angústia, o impasse entre o que é o melhor para o filho e o que é o meu desejo, fica bastante misturado. Mas vejo que esses períodos são frequentes durante todo o nosso exercício da maternidade.

Vivi essa angústia, profundamente, escolhendo junto com minha filha de vinte anos, qual seria a melhor opção frente ao retorno dela, ou não, a para o Brasil. As nossas escolhas estão sempre focadas em nossos desejos e sentimentos mais profundos, e na maior parte das vezes, inconscientes. Como tomar uma decisão tão séria sem atrapalhar o processo do outro, e ao mesmo tempo, influenciada pelos meus desejos? Essa situação se apresenta durante todo o processo de educação e acompanhamento de nossos filhos durante suas vidas. O quanto somos ou não generosos e conseguimos nos desprender de nosso desejo buscando respeitar e aceitar o que é o melhor para o outro, e que muitas vezes temos a impressão de que não é o melhor para nós, mães? O que é o melhor de verdade para o outro? A única saída para esses impasses sempre será a possibilidade de desapego diante do outro. Do quanto somos capazes de abstrair nosso desejo pessoal daquilo que propiciará o seu processo evolutivo. Estamos preparados para isso quando nos deparamos com a gravidez e posterior maternagem?

A maternidade poderia ser a possibilidade infinita de amor com a capacidade de desapegar -se deste ser e dar a ele a oportunidade de se desapegar do eu-mãe. Considero que a verdadeira função materna sempre nos coloca frente a frente da função ética do ser humano. Depois de todo um final de semana sofrendo com nossas questões de apego e desapego, decidimos em conjunto que ela ficasse no pais em que estuda. Por volta dos vinte anos se chega se ao momento de se desapegar dos familiares para se apegar à própria vida, estudos e compromissos. A dificuldade da mãe em se comprometer com a sua“própria”história acaba dificultando o compromisso do filho com a história dele ,e portanto, o seu processo existencial, podendo ficar subdesenvolvido, emprestado, superficial. Dificultando que ele consiga seguir o seu caminho.


Maria Izabel Franco e Bandeira de Mello

Psicóloga e Analista Junguiana

Formada pela PUCSP

Atua há mais de 25 anos na área de Clínica Privada

CRP 06/33102





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