Como está a sua ansiedade sem as redes sociais?


Voltamos no tempo, estamos em 1990 quando não existiam meios de comunicação sem ser o famoso telefone fixo. Antigamente você saía de casa e não se preocupava se conseguiria falar com as pessoas ou não. Relaxava! Pois, sabia que quando chegasse em casa, a sua secretária eletrônica, com aquela "fitinha" pequenininha, teria recebido todos os recados para você. Mas os tempos mudaram e você se acostumou a receber as mensagens imediatamente.

Imediatismo e ansiedade são um prato cheio para o aumento da necessidade de controle.

Você deve ter notado que algumas horas sem as redes sociais mudaram o seu comportamento. Provavelmente passou a prestar mais atenção em coisas que não notava, tipo uma pessoa que está ao seu lado, paisagens, conversas, e-mails, seus animais, filhos, parceiros e parceiras… o que mudou nesse período?

Já deu para perceber que aquele controle que você acreditava ter, na realidade, não existe. Entre o comportamento do controle e do domínio, existe uma grande diferença. A necessidade de estar presente em todos os lugares, ter acesso livre as informações são uma falsa ideia de segurança. Quando se tem a necessidade de verificar tudo a qualquer momento, podemos atrelar esse comportamento a uma sensação de insegurança.

Pense sobre esta frase:

"Não é você quem controla as redes sociais, são elas que te controlam."

(Tatiana Auler)

Você está tendo uma ótima oportunidade neste momento de, em vez de ficar prestando atenção no pensamento de outras pessoas nas redes, prestar atenção no seu próprio pensamento, prestar atenção em você. E como está sendo?

Uma outra ideia que podemos associar a esse momento é a do comportamento adaptativo. Canso de falar para os meus pacientes para criarem novos comportamentos, novos hábitos para substituir os hábitos ruins. É comum o relato da dificuldade que é sair das redes sociais e fazer outras coisas. Mas no momento onde não se tem a opção, automaticamente o comportamento alternativo é criado sem esforço. Gosto de fazer analogias... você pode imaginar um fumante no avião? Qual comportamento adaptativo ele cria para poder lidar com o vício? O simples fato de não existir uma alternativa para o ato, faz com que o fumante se adapte a situação. Nosso cérebro é "danado"!

Concluindo… busque observar o que você começou a fazer de diferente quando o que sempre fazia, deixou de poder ser feito.

Tatiana Auler

Psicóloga

CRP 05/56969

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