O poder da escolha


Para Platão, toda escolha envolve alternativas, no mínimo entre fazer e não fazer algo, e chega-se a uma opção através de um processo de decisão. É nesse processo de decisão que a teoria tem o seu papel, já que essa decisão envolve sempre critérios segundo os quais será tomada. Critérios que poderão então indicar qual a alternativa preferível, p.ex., a mais prática, a mais fácil, a mais econômica, a menos perigosa, a mais rápida, a mais justa etc. Ora, os critérios que nos permitem julgar ou avaliar as alternativas são formados a partir de definições e princípios, de um  conhecimento, ao qual só chegamos pelo raciocínio teórico. É o princípio abstrato , ao qual chegamos por nossa inteligência, que nos permite decidir nesses casos.


Nossas decisões nunca devem ser meramente práticas, baseadas em um caso concreto ou uma experiência particular, ou seja, casuísticas, devemos partir de certos princípios e valores gerais, que adotamos e segundo  os quais agimos. Esses valores são formas ou ideias, no sentido em que anteriormente examinamos. Devem ser universais, isto é, gerais, abstratos, permanentes, para que possam realmente orientar nossa ação, sem que precisemos refazer todo o processo a cada nova decisão. Além disso, os princípios servem para justificar nossas decisões e os atos que realizamos. É este o sentido do racionalismo, que Platão é um dos primeiros a inaugurar.


Uma ação é justificada, legítima portanto, quando baseada numa decisão que por sua vez obedeceu a certos critérios que se fundamentam em princípios gerais, em normas da ação. É por serem gerais, universais, por se aplicarem a todos os casos de um determinado tipo e a todos os indivíduos em circunstâncias equivalentes, que são justificados, isto é, estão de acordo com a norma racional, têm um fundamento teórico, e não são arbitrários, aleatórios, casuais, nem estão apenas a serviço do mero interesse individual e imediato.


Se assim o fosse, a ação humana seria caótica, incompreensível e seus resultados imprevisíveis. A ideia de racionalidade supõe exatamente isto: a existência de certos princípios gerais que regulam nossa ação e que são acessíveis à nossa inteligência, à nossa atividade teórica.


Texto do Livro - Iniciação à história da filosofia: Dos pré-socráticos a Wittgenstein

Autor: Danilo Marcondes


Tatiana Auler

Psicóloga

CRP 05/56969