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Representatividade da Mulher

Há mais de dez mil anos o valor da mulher vem associado a sua capacidade de ter um homem que goste, ou cuide dela. O fato de não ter um homem para cuidar dela virou sinônimo de não ter dignidade, possibilidade de existir, de ser um indivíduo de valia. Mesmo contemporaneamente vemos as mulheres investindo grande parte de sua energia em ser escolhida por alguém, ou melhor, tentando escolher e se convencendo que está sendo escolhida. A milenar associação da mulher a sua realização com o casamento, e posterior maternidade só pode estar relacionada ao fato de esse ter sido o marco da identidade positiva para a mulher. Ter um homem, um parceiro, posteriormente uma família que lhe garanta um lugar na sociedade, que lhe traga uma identidade positiva, um valor, para si. Toda a sociedade se estruturou nesses parâmetros dificultando imensamente a realização pessoal da mulher. Ela complementarmente ao homem se colocando no papel de dependente, mas sombriamente poderosa na casa, o seio familiar. Observamos inclusive famílias do final do séc XX em que os homens traziam o dinheiro para casa com seus trabalhos e a administração deste fruto ficava nas mãos da “chefe”da casa.


Este padrão vem sendo reelaborado gradativamente. Hoje tudo isso já virou lugar comum no ideário das sociedades contemporâneas. As mulheres querem ser livres trabalharem ,escolherem se serão ou não mães, aliás ,as discussões estão mais pautadas nas questões de gênero do que propriamente no empoderamento feminino, que vem sendo assumido paulatinamente.

Me pergunto? As mudanças vem inicialmente pelas novas idéias e com a nova comunicação que se estabeleceu com a tecnologia , e cada grupo social vivendo na sua própria bolha, ficamos com a impressão que tudo mudou, estamos empoderadas e valores culturais milenares caíram por terra? Mas cada vez que nos deparamos com estatísticas de violência doméstica, escutamos colegas nos relatando relações amorosas abusivas desde a tenra adolescência realizo que mudanças estruturais em uma sociedade são muito lentas. A tecnologia é muito rápida no disparo das informações, mas as mudanças estruturais ainda hoje levam séculos. Nossa psique precisa de um tempo interno de muita elaboração , de nossas crenças, identificações e padrões arraigados herdados de comportamento.


Vamos buscar cada vez mais conscientizar nossas mulheres que mudanças provavelmente virão a favor de toda sociedade, mas que temos um árduo trabalho pela frente em criar novos padrões de comportamento e não copiarmos um funcionamento da cultura patriarcal para nos

“vingarmos” do suposto poder dos homens. Precisamos procurar elaborar juntos, somar experiências e pensamentos que nos tragam completude e não exclusão.


Feliz mês das mulheres para toda nossa sociedade que precisa do número dois, da inclusão para se superar e progredir.


Maria Izabel Franco e Bandeira de Mello

Psicóloga e Analista Junguiana

Formada pela PUCSP

Atua há mais de 25 anos na área de Clínica Privada

CRP 06/33102





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